São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades.
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Carta para Filhote - II


E aí que o relógio biológico do teu pai disparou de vez.
Mas disparou, como diria o pessoal do interior, "de cum força".
Mamis tava quietinha, tranquila, você na minha cabeça e no meu coração sempre, mas de uma forma tão sutil que tudo parecia afastar a pressa.
Mas aí teu pai teve uma epifania, e assim, do nada, desabafou. Quer dizer, nada é "do nada". Mas enfim...
O fato é que eu percebi, amore, o quanto o papai tava guardando só pra não pressionar a mamis, e o tanto de vontade que tinha dentro dele. Sim, filhote. Vontade de você, simplesmente.
E a mamãe ficou feliz porque na maioria das vezes, filhote, é o contrário, sabe? Quando você vier ao mundo, estiver grandinho e começar a entender do que são feitas as coisas, você vai ver: a mulher é que em geral toma a frente nesse tipo de coisa. Quer, pisa forte, exige, faz chantagem emocional, beicinho. E o homem reluta, tem medo, protela, enrola até não poder mais.
Então essa parte do convencimento, pra mamis, será sumariamente dispensada. Não é demais?
E aí nesses dias a mamis tem repensado tanta coisa. E aí mamis outro dia ficou acordada até tarde assistindo "O curioso caso de Benjamin Button" e se emocionou, porque de fato o tempo não volta.
Então amore, aguarda aí mais uns instantes que é já que chamo! E venha, viu? Seja obediente!
Ah, já te disse que escolhi teu nome? Larissa, se princesa, ou Lucas, se príncipe. Diz aí se eu tenho juízo?
Beijos mil.
Com amor,
Mamis

sábado, 21 de maio de 2011

Carta para filhote I

A Marcele escreve pro Thi dela, a Cris Guerra escreve pro Cisco, a Mita escreve pro "Meu Bem", o Woltony escreve pra Luciana... Seria demais escrever para alguém que ainda não existe, mas que me permeia os pensamentos?

---xxx---

Filhote,
Você ainda não veio ao mundo, é verdade.
Mas não se engane. Não só você já existe, como já faz parte da minha vida - aliás: da nossa vida, minha e do seu pai.

Já é por você que fazemos tanta coisa: já nos preocupamos mais com a nossa saúde (imagine só que a mamis até entrou na academia e quebrou um pé por conta disso); já nos alimentamos melhor; o papai já tem um bom emprego e a mamis está estudando loucamente para arrumar um melhor; já nos preocupamos em formar um patrimônio (e ainda nem chegamos aos 30); enfim, são tantas coisas...
Já muitos são os anos em que imaginamos como você será, e, nos últimos meses, tem sido bastante difícil conseguir controlar os anseios de lhe chamar à nossa companhia.

Mas as dificuldades que se têm apresentado e as mudanças intensas na nossa rotina, filhote, simplesmente vão adiando cada vez mais a sua chegada.

E dá um medo, sabe?

Medo de que, quando a gente finalmente lhe chame, você seja um filhote mimado, cheio de vontade e que faça apenas o que der na telha, deixando-nos de cabelo em pé, sem conseguir lhe ter. E que a gente se desgaste e faça mil tratamentos e passe anos gastando os tubos de dinheiro em clínicas de fertilização para que você possa vir ao mundo.

Dá um medinho também, filhote, que seus bisavós não te vejam nascer, que seus avós não tenham mais tanta saúde para te ver brincar e principalmente para brincar com você (tudo bem que quanto a esse último fator rola uma chantagem emocional pesada da Vovó Fê).

Mas que dá medo, amor, dá.

E dá medo, principalmente, de fazer tantos planos e os planos não darem certo.

Porque, como a mamãe ouviu uma vez alguém dizer, se você quiser contar uma piada para Deus, faça um plano. E essa frase se aplica tão bem para a mamãe e o papai... Por tantos motivos...

Então eu só te peço, filhote, que seja um menino bonzinho, obediente, e que, quando o papai e a mamãe pedirem que você venha nos fazer companhia, você entenda que a demora terá sido pensando em você, meu amor, e não se prolongue em vir alegrar a nossa vida, tudo bem?

Um grande beijo de quem já te ama,

Mamãe.